A arte de andar na garupa de uma moto !

Depois que comecei a andar de moto descobri duas coisas, a primeira era que muita gente não sabe andar de garupa, e a segunda era que eu mesmo não sabia. O relacionamento piloto/garupa chega a ser quase uma arte.

Para andar na garupa é necessário atenção e sincronia com o piloto, isso é muito importante para a segurança pois, um garupa desatento ou que não tenha um comportamento adequado, pode causar um acidente levando ambos ao chão.

Para começar, as roupas utilizadas pelo garupa devem ser adequadas, como calça e casaco cordura ou de couro, capacete decente e, se possível, luvas.

Detalhe: a jaqueta deve ter áreas com tecido reflexivo e bolso com zíper.

Nos dias mais frios use roupa térmica, chamada “segunda pele”. Assim a garupa fica mais confortável.

Para se proteger do frio, a garupa pode usar uma balaclava ou protetores de pescoço.

No dia a dia ou em viagens, capa de chuva é fundamental.

As mulheres devem estar sempre com os cabelos presos.

Evitar bolsas grandes e penduricalhos, como longos cachecóis, lenços ou roupas que fiquem tremulando ao vento, já que podem se prender na roda traseira ou no sistema de transmissão.

Sapato aberto nem pensar.

Botas ou calçados fechados são fundamentais, mas às vezes dá trabalho convencer as mulheres de sua importância. Piloto, não se renda. Em última instância decida: Ou é assim ou ela vai de ônibus.
Nas quedas, mãos e pés sempre se machucam. Não queira ser responsabilizado pelos DODÓIS dela.

O garupa deve subir na moto como se estivesse montando um cavalo: apóia um dos pés sobre uma das pedaleiras, passa a perna sobre o banco, apóia o outro pé sobre a pedaleira do lado de lá e ajeita-se até encontrar uma posição inicialmente confortável.

Sempre que subir ou descer da moto, a garupa deve comunicar ao piloto. Já que nesta simples operação os tombos são mais freqüentes. Ainda mais em pisos irregulares ou com a moto transportando bagagem.

Para este mesmo momento é bom alertar que nunca se deve subir na moto sem avisar o piloto, ainda mais sobre pisos escorregadios ou irregulares.

O ideal é avisar: “subindo pela direita” por exemplo, ou ainda, um tapinha no ombro. Eu disse, tapinha, não vá se aproveitar da ocasião…
Ou então, a garupa acabará tendo que ajudar a levantar a moto do chão.

Caso a moto não tenha sissy-bar (encosto), o ideal é que ela mantenha o corpo ereto ou, no máximo, incline-se levemente para a frente (nunca para trás). Pode segurar nas alças traseiras ou no piloto, mas prestando atenção para não enforcá-lo e não apoiar seu peso sobre ele – o que atrapalhará a pilotagem.

Nas freadas e arrancadas, deve segurar-se nas alças (e não no condutor) ou compensar o desequilíbrio momentâneo com leves inclinações do corpo. Nas motos com sissy-bar, basta a garupa encostar-se ali e manter os braços cruzados ou apoiados sobre os joelhos.

Outra opção para frenagens bruscas é o garupa “abraçar” com as pernas o piloto para também não forçar demais os braços nas alças.

Em alta velocidade, o garupa tem que “colar” o corpo no piloto. Em motos esportivas, o garupa também tem a possibilidade de apoiar as mãos no tanque de combustível.

Em deslocamentos acima de 80 Km/h, fica difícil falar com o piloto. Até porque não é permitido rodar com a viseira aberta. Uma opção são os intercomunicadores instalados no capacete.

Nas curvas, a garupa não deve ficar achando que vai cair a todo instante e com isso, instintivamente, inclinar-se para o lado contrário. Isso desequilibra a moto e atrapalha o piloto. O ideal é que fique relaxada sobre o banco – garupas “duros” que nem uma pilha de tijolos tendem a fazer a moto rebolar nas curvas.

A garupa deve acompanhar a inclinação do piloto nas curvas. Assim, a moto contorna a curva mais suavemente. A garupa deve evitar ao máximo fazer movimentos bruscos – e quanto menor a moto, mais esses movimentos a desestabilizam. Em altas velocidades, se possível, a garupa deve ficar mais próximo do piloto. Isso centraliza o peso sobre o banco e reduz as turbulências causadas pelo vento.

Deixe os documentos, cartões de banco/crédito e dinheiro sempre no bolso (que tenha zíper) da jaqueta. O pagamento de pedágios é uma das funções do garupa.

Outra questão é o sono. A garupa não pode nunca cochilar ou dormir sobre a moto.

Nas viagens noturnas muitas garupas, tomadas pelo tédio, tendem a dormir (não é brincadeira, é sério). Nesse caso é bom dar uma parada e tomar um café forte para se manter acordada.

Outra boa dica é dar a garupa algo para mastigar: dificilmente alguém adormece mascando um chiclete ou bala.

Evite falar ou sinalizar em curvas ou ultrapassagens. Quem “manda” na condução da moto é o piloto.

Em viagens aliás, é bom que a garupa evite, também, ficar olhando para o velocímetro, por cima do ombro do piloto e, mais ainda, reclamar da velocidade através de cutucões, joelhadas laterais e beliscões.
Pare e converse. Se estressar com a moto em movimento desvia a atenção.

Quando parar a moto, não colocar os pés no chão, pois em vez de ajudar, só atrapalha, já que desequilibra o piloto.

Chegou? Ótimo.
Mas a garupa só desce da moto depois de avisar ao piloto (mesmo procedimento de “embarque”). E enquanto o piloto estiver manobrando a moto, o passageiro jamais deve tirar os pés das pedaleiras.

Com a moto em movimento evite movimentos bruscos ou fazer pose para a máquina fotográfica ou filmadora. O tal “filme eu!” pode desequilibrar a moto e causar um acidente. Fotografe/filme a paisagem.

Outra dica é nunca esquecer de calibrar os pneus da moto para o transporte do garupa. A calibragem adequada varia com os modelos, e, vem afixada no chassi da moto ou na lateral do pneu pela própria fábrica.

Respeitar a idade mínima do garupa regulamentada no CNT – 7 anos.

Por fim, cabe ao garupa carregar os capacetes e oferecer um café ao heróico piloto que lhe levou para passear.

Fonte: O Globo/Equipe MOTO.com

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